O presidente eleito da Colômbia, Abelardo de la Espriella, afirmou que pretende adotar medidas mais duras de combate ao narcotráfico e às guerrilhas no país, incluindo a retomada das fumigações das plantações de coca e ações militares contra acampamentos de grupos armados.
Em entrevista concedida nesta terça-feira (23), o político declarou que, ao tomar posse no dia 8 de agosto, determinará o início da fumigação de mais de 330 mil hectares de plantações de coca, o que, segundo ele, seria a base para a atuação de organizações criminosas.
“Darei ordem para começar a fumigar os mais de 330 mil hectares de coca, que estão na origem de todas as formas de violência”, afirmou.
Espriella também disse que ordenaria ataques contra o que chamou de “campos narcoterroristas”, afirmando que pretendia usar tecnologia militar para reduzir os impactos sobre os civis. Além disso, declarou que pretende autorizar ações contra aeronaves e embarcações supostamente utilizadas para o tráfico de drogas.
“Instruirei os comandantes da Aeronáutica, do Exército e da Polícia a abater qualquer aeronave carregada de drogas que saia da Colômbia. Também ordenarei o afundamento de lanchas utilizadas para o tráfico de drogas”, afirmou.
As declarações acontecem após a eleição do político em segundo turno contra o senador Iván Cepeda, em disputa acirrada. Durante a campanha, o combate ao tráfico de drogas foi um dos principais temas do candidato vencedor.
Dados do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) indicam aumento do cultivo de coca na Colômbia em 2023, com crescimento em diferentes regiões do país. Segundo o relatório, departamentos como Cauca e Nariño concentraram parte significativa da expansão das áreas cultivadas.
A Colômbia continua a ser um dos principais pontos da cadeia internacional do tráfico de cocaína, com a produção destinada principalmente aos mercados dos Estados Unidos e da Europa, num contexto de presença estatal limitada em algumas regiões e de presença de grupos armados em áreas remotas.
O atual governo colombiano, liderado por Gustavo Petro, mantém uma política de segurança diferenciada, com ênfase nas negociações e na redução da violência, que tem sido objeto de debate interno no país.


