Winamp anuncia parceria com Deezer e promete reinventar o player de música em 2027

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A parceria entre Winamp e Deezer foi anunciada em 29 de julho e vai colocar tecnologia de streaming francesa dentro de um dos players de música mais lembrados da internet. O acordo dá origem a um serviço de assinatura próprio da marca, integrado a uma nova versão do programa prevista para o primeiro semestre de 2027.

O anúncio saiu simultaneamente em Bruxelas e Paris, sedes das duas companhias. Nenhum preço foi divulgado, e a empresa afirma que detalhes do produto serão revelados mais perto do lançamento.

A proposta declarada no comunicado é reinventar o player de música para a era do streaming, argumento que a companhia sustenta com uma observação sobre o setor: apesar de uma década de evolução dos serviços por assinatura, o conceito básico de um tocador de música mudou pouco.

O que cada empresa coloca na mesa

A Deezer entra com sua tecnologia de streaming white-label e com o catálogo global licenciado. O termo descreve uma solução de bastidor: a infraestrutura pertence à francesa, mas o produto final aparece com a marca do parceiro.

O Winamp fica responsável pela experiência de uso, pela interface e pelo modelo comercial. A assinatura será vendida sob a marca Winamp e funcionará como recurso nativo do programa, sem redirecionar o usuário para um app externo.

Julien Delbourg, diretor comercial da Deezer, afirmou que o papel da empresa será sustentar a visão do parceiro com tecnologia e catálogo, apoiado em duas décadas de operação no mercado musical.

Thierry Ascarez, diretor de negócios do Winamp Group, resumiu a intenção do acordo:

“Os usuários não vão descobrir apenas mais um serviço de streaming, e sim uma nova geração do Winamp Player.”

Streaming e arquivo local no mesmo programa

O ponto que separa o projeto das plataformas de streaming convencionais é a variedade de fontes reunidas em uma única janela.

Fonte de áudioSituação no novo player
Assinatura premium Winamp (tecnologia Deezer)Incluída
Biblioteca de músicas salvas no dispositivoIncluída
Rádios onlineIncluídas
PodcastsIncluídos
Coleções pessoais em nuvemIncluídas
Outras fontes de áudioIncluídas

A empresa promete ainda interface altamente personalizável, recursos sociais inéditos e novas formas de organizar e descobrir músicas. As skins customizáveis, marca registrada do programa nos anos 90 e 2000, seguem no pacote.

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O comunicado também afirma que o modelo de assinatura em si será repensado, sem detalhar em que aspecto. A frase é vaga o suficiente para abrigar desde preço diferenciado até divisão distinta de receita com artistas.

O player clássico ainda tem 40 milhões de usuários

O dado mais concreto do anúncio está na base instalada: segundo a companhia, o player de desktop original continua sendo usado ativamente por mais de 40 milhões de pessoas no mundo.

Divulgação/Winamp

Esse público não fica de fora… Depois do lançamento da nova plataforma, o programa antigo também passará a receber o serviço de assinatura movido pela tecnologia da Deezer.

Vale registrar uma imprecisão que circulou junto com a notícia: o texto oficial e a citação do executivo falam em 25 anos desde a chegada do Winamp, mas a primeira versão foi lançada em 1997, o que dá 29 anos.

Do MP3 à bolsa de valores

A trajetória do programa passa por três donos diferentes e por duas tentativas frustradas de reinvenção na década atual.

AnoEtapa
1997Estreia do Winamp, criado por Justin Frankel e Dmitry Boldyrev na Nullsoft
1999AOL compra a Nullsoft por cerca de US$ 80 milhões em ações
2013AOL anuncia o encerramento do programa
2014Radionomy compra Winamp e Shoutcast
2023Redesenho voltado a artistas não emplaca
2024Publicação do código-fonte gera disputa sobre licenciamento
Outubro de 2025Llama Group muda de nome para Winamp Group SA
Julho de 2026Acordo com a Deezer
1º semestre de 2027Lançamento previsto do novo player

O Winamp Group é listado no Euronext Growth de Paris e Bruxelas sob o código ALWIN e reúne quatro marcas: Winamp, Bridger (gestão de direitos autorais), Jamendo (licenciamento musical) e Hotmix (rádios online). A Deezer é negociada na Euronext Paris com o ticker DEEZR.

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Alexandre Saboundjian, presidente-executivo do Winamp Group, comanda a operação desde a aquisição em 2014. Ele fundou a Radionomy, empresa belga que deu origem ao grupo, e já apresentou uma proposta parecida de unificação de fontes de áudio em 2019, sem que o produto chegasse ao mercado.

Divulgação/Winamp

A Deezer chega com um problema de catálogo

A parceira francesa opera em 180 países e mantém times na França, Alemanha, Reino Unido, Estados Unidos e Brasil, somando 550 funcionários. O país aparece entre os maiores mercados da plataforma, resultado de uma década de acordo com a TIM.

A companhia também acumula a posição mais dura do setor contra a música gerada por IA. Foi a primeira a rotular álbuns com faixas totalmente sintéticas e a primeira assinante da declaração global contra treinamento não licenciado de modelos generativos.

O tamanho do problema apareceu em 21 de julho, quando a Deezer informou que faixas geradas por IA passaram de 50% dos envios diários à plataforma pela primeira vez. O índice era de 10% em janeiro de 2025 e 18% em junho do mesmo ano.

Como o catálogo do futuro serviço do Winamp vem da Deezer, essa curva também vale para quem assinar o novo player.

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Preço e data exata seguem sem definição

Nenhum dos dois comunicados traz valor de assinatura, países de estreia ou data fechada dentro do primeiro semestre de 2027. As empresas prometem novos anúncios e prévias do produto ao longo dos próximos meses.

A ausência de preço é o dado que mais importa para o Brasil. O mercado local já viu Spotify e Apple Music reajustarem valores em 2025 e 2026, e um serviço novo entra numa disputa em que o consumidor brasileiro paga entre R$ 23,90 e R$ 24,90 pelo plano individual das plataformas líderes.

O prazo também joga contra. Entre o anúncio e o lançamento vão pelo menos dez meses, tempo suficiente para que o produto chegue a um cenário competitivo diferente do atual.

Para o Winamp Group, a aposta tem peso financeiro direto: a companhia é listada em bolsa e publica os resultados do primeiro semestre de 2026 em 30 de outubro, quando terá de explicar aos acionistas quanto custa construir tudo isso.

Fonte(s): Winamp, Deezer Newsroom e What Hi-Fi?

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