Última tentativa de evitar BAN da DJI nos EUA depende de usuários

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A última tentativa de barrar o veto à entrada de novos drones da DJI nos Estados Unidos passou para as mãos do consumidor. A Federal Communications Commission (FCC), agência reguladora americana de telecomunicações, abriu prazo de comentário público para reconsiderar a inclusão da fabricante chinesa na chamada Covered List, e o período termina na próxima segunda-feira, 11 de maio.

A Covered List funciona como blacklist de equipamentos considerados ameaças à segurança nacional. Produtos que entram nessa relação não conseguem autorização da FCC, e sem essa autorização, novos modelos não podem ser legalmente comercializados, importados ou anunciados em território americano.

Petição da DJI gerou janela de comentários até 11 de maio

A FCC adicionou drones e componentes críticos estrangeiros à Covered List em 22 de dezembro de 2025.

A DJI protocolou em 21 de janeiro de 2026 uma petição de reconsideração administrativa, processo identificado pelo número de docket ET 26-22, alegando que a agência teria excedido sua autoridade legal e desrespeitado o devido processo.

Reprodução/FCC

A janela de oposições para a petição encerrou em 6 de abril, e a janela de réplicas vai até 11 de maio, conforme o despacho DA 26-223 da FCC. Qualquer pessoa pode enviar comentário pelo Electronic Comment Filing System (ECFS) da agência.

A entidade Drone Advocacy Alliance tem mobilizado pilotos, agricultores, fotógrafos e equipes de segurança pública para enviar relatos. A regra é simples: o comentário precisa apenas explicar como o uso do drone afeta a vida ou o trabalho da pessoa.

Até a tarde desta quarta-feira (6), mais de 460 manifestações já haviam sido enviadas ao ECFS, segundo levantamento da publicação especializada DroneLife. O volume de respostas mostra que a discussão saiu do nicho político e chegou ao usuário final.

Pentágono pressiona pelo veto com base em material confidencial

Do outro lado da mesa, o governo americano não recuou: o Departamento de Defesa enviou em abril um memorando à FCC pedindo que a petição da DJI seja rejeitada. O texto afirma que sistemas estrangeiros de drones representam “risco inaceitável” à segurança nacional e que essa avaliação se apoia em dados de inteligência classificados.

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Reprodução/Wikimédia Commons

A própria DJI vem reclamando justamente desse ponto há anos. A empresa diz nunca ter recebido evidência concreta de que seus produtos sejam perigosos e que pediu, sem sucesso, auditorias de segurança das agências americanas em 2025.

A Foundation for Defense of Democracies, ligada a setores conservadores, também entrou com oposição em março. O conjunto de manifestações cria um cenário desfavorável à fabricante chinesa antes mesmo de a réplica final ser apresentada.

“A FCC pode infligir bilhões em danos e ainda assim sentar em cima do papel.”

A frase resume o argumento da DJI ao 9º Tribunal de Apelações dos Estados Unidos, onde a fabricante também processa a FCC. A defesa da empresa é assinada por Travis LeBlanc, ex-chefe de fiscalização da própria FCC, e por Elizabeth Prelogar, ex-Solicitor General do governo americano.

US$ 1,56 bilhão em vendas e 25 lançamentos travados

A DJI quantificou o prejuízo pela primeira vez em 15 de abril. Em petição enviada à corte, a chinesa projeta perda de cerca de US$ 1,56 bilhão em 2026, valor próximo de R$ 7,7 bilhões na cotação atual, número que não inclui impostos brasileiros nem taxas de importação.

ItemValor estimado
Perda com 14 produtos já autorizados (5 drones + 9 acessórios)US$ 700 milhões (R$ 3,46 bilhões)
Perda com 25 lançamentos planejados para 2026US$ 860 milhões (R$ 4,25 bilhões)
Total projetado em 2026US$ 1,56 bilhão (R$ 7,72 bilhões)

A lista de produtos afetados inclui não só drones, mas também câmeras, gimbais e estabilizadores. O Osmo Pocket 4, lançado mundialmente, ficou de fora do mercado americano por conta da decisão.

Modelos atuais, como Mavic 4 Pro, Mini 5 Pro, Air 3SDJI Air 3S e a linha Matrice, continuam podendo ser vendidos e voados no país. A trava vale para o que vem a partir de agora.

Bombeiros, fazendeiros e socorristas dependem da fabricante

O argumento da DJI ganha peso pelos números do uso americano, visto que dados da própria companhia indicam que mais de 87% dos drones operados por equipes de segurança pública nos Estados Unidos são da marca. Corpos de bombeiros, polícia e times de busca e salvamento usam os equipamentos em incêndios, resgates e desastres naturais.

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Os comentários enviados à FCC mostram exemplos. Um operador de busca e salvamento descreveu como drones térmicos da DJI ajudam a localizar pessoas desaparecidas.

Um voluntário de equipe de resposta a furacões disse não conhecer alternativa americana com a mesma capacidade no preço acessível. Um agricultor da Califórnia detalhou o uso para identificar problemas de irrigação, pragas e até invasores na propriedade.

Divulgação/DJI

O setor americano tem alternativas como a Skydio, mas modelos equivalentes custam significativamente mais e ainda não cobrem todas as funções da rival.

Em março, quatro fabricantes não chinesas receberam aprovações condicionais como exceção, com cláusulas de cadeia de suprimentos limpa e compromissos de produção doméstica. Nenhum fabricante chinês passou pelo processo.

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O que muda se a FCC mantiver a decisão

O processo administrativo na FCC corre em paralelo a duas outras frentes: a ação no 9º Circuito, sobre a legalidade do banimento, e o recurso no Circuito de DC contra a classificação da DJI como “Empresa Militar Chinesa” pelo Pentágono. As três frentes estão interligadas. Um resultado favorável à fabricante em uma delas pode destravar as outras.

Se a FCC decidir manter a Covered List como está, novos produtos da DJI ficam fora do mercado americano por tempo indefinido. Há precedente preocupante para a chinesa: a FCC levou quase três anos para julgar petição parecida da China Unicom, finalmente negada em 2025.

Caso a FCC reconsidere ou os tribunais forcem maior transparência sobre as evidências classificadas, a chinesa volta ao jogo nos EUA e cria um precedente importante: agências reguladoras passariam a precisar de evidências mais concretas para justificar restrições baseadas em segurança nacional.

Para o consumidor americano, fica a escolha entre ter acesso à mesma tecnologia que canadenses e mexicanos compram livremente ou ficar travado nos modelos atuais até segunda ordem.

Fonte(s): FCC – Despacho DA 26-223, FCC ECFS – petição ET 26-22, DroneDJ, DroneLife e DroneXL

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