Samsung prepara “DLSS mobile” para Exynos 2600 com até 15% mais desempenho

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A Samsung deu um passo relevante no campo de gráficos mobile ao apresentar o ENSS (Exynos Neural Super Sampling), sua tecnologia proprietária de otimização gráfica por inteligência artificial, estreando no Exynos 2600, o primeiro chip móvel de 2 nanômetros da empresa, fabricado com a tecnologia Gate-All-Around (GAA) da Samsung Foundry.

O anúncio foi feito pela própria Samsung e confirmado pela agência sul-coreana Yonhap News em 28 de abril de 2026.

O ENSS é a resposta da Samsung ao DLSS da NVIDIA e ao FSR da AMD, trazendo para smartphones a lógica de reconstrução de imagem via redes neurais para reduzir a carga sobre a GPU sem abrir mão da qualidade visual.

No benchmark 3DMark Steel Nomad Lite, o Exynos 2600 com ENSS ativo registrou desempenho cerca de 15% superior ao de chips concorrentes. Em Ray Tracing, o chip alcançou a primeira posição na plataforma Basemark Power Board, referência consolidada entre desenvolvedores para avaliar estabilidade gráfica em cargas intensas.

Como funciona o ENSS: dois componentes, um objetivo

A tecnologia se divide em duas partes complementares:

  1. NSS (Neural Super Sampling: que utiliza IA para reconstruir imagens renderizadas em resolução mais baixa e transformá-las em saídas de alta definição, reduzindo o esforço computacional da GPU sem degradar a percepção visual pelo usuário.
  2. NFG (Neural Frame Generation): equivalente ao Frame Generation da NVIDIA. Após renderizar um quadro real, o sistema gera um quadro intermediário sintetizado por IA com base nas informações visuais do quadro anterior, resultando em animações mais fluidas sem custo adicional significativo de processamento.

Juntos, os dois módulos aliviam a carga sobre a GPU, reduzem o consumo de energia e mantêm a estabilidade de imagem mesmo em situações de alta demanda gráfica, como trocas rápidas de câmera ou cenas com muitos elementos simultâneos em movimento.

A Samsung afirma ter validado internamente que a tecnologia entrega visuais nítidos e sem interrupções nessas condições.

“A Samsung aplicou o ENSS para reduzir a carga computacional da GPU, melhorar a eficiência energética e obter imagens claras e sem interrupções mesmo durante trocas rápidas de câmera e em cenas complexas.”

Samsung Electronics

O Exynos 2600 e o Galaxy S26

O Exynos 2600 é o chip que equipa as versões Galaxy S26 e Galaxy S26+ em determinados mercados.

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Trata-se do primeiro SoC móvel do mundo fabricado em processo de 2nm com arquitetura GAA, que substitui os transistores FinFET convencionais por estruturas que envolvem o canal em quatro lados, melhorando controle de corrente, eficiência energética e densidade de transistores.

Reprodução/GSM Arena

A GPU integrada ao chip é a Xclipse 960, baseada na arquitetura RDNA da AMD sob acordo de licenciamento. Em testes independentes, a Xclipse 960 já havia demonstrado liderança em Ray Tracing mobile no Basemark In Vitro 1.0, com pontuações entre 8.262 e 8.321 pontos, à frente da Adreno 840 do Snapdragon 8 Elite Gen 5 da Qualcomm, que marcava cerca de 7.649 pontos.

O ENSS agora é somado a esse hardware para ampliar ainda mais a vantagem em cenários gráficos exigentes.

O problema real: hardware avançado, ecossistema de jogos estagnado

Apesar dos resultados técnicos expressivos, há uma limitação estrutural que nenhum benchmark consegue mascarar: a ausência de suporte nativo por parte dos desenvolvedores de jogos no Android.

Sem títulos otimizados especificamente para o ENSS e o NFG, as tecnologias ficam restritas a workloads sintéticos e a eventuais implementações genéricas.

O contraste com o ecossistema iOS é notável. Empresas como Capcom e Remedy portaram múltiplos títulos da franquia Resident Evil e o aclamado Control para o iPhone, aproveitando os recursos específicos do hardware Apple.

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No Android, o último lançamento de peso foi Tomb Raider, um jogo originalmente lançado para PC em 2013.

Enquanto isso, chips como o Snapdragon 8 Elite Gen 5 da Qualcomm já demonstram capacidade de emular jogos de PC com qualidade aceitável, o que ao menos contorna parcialmente a falta de ports nativos.

A Samsung planeja expandir o ENSS para chips futuros, conforme compatibilidade de hardware e software.

O próximo na fila deve ser o Exynos 2700, previsto para o Galaxy S27 em 2025, que também deve trazer uma arquitetura de empacotamento lateral (Side-By-Side) para melhorar a dissipação de calor, posicionando o SoC e a memória lado a lado em vez de empilhados.

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Potência disponível, mas dependente de parceiros

A Samsung construiu, com o Exynos 2600 e o ENSS, uma base técnica competitiva para gráficos mobile.

O hardware de Ray Tracing lidera benchmarks, a GPU apresenta ganhos reais em relação à geração anterior, e a combinação de upscaling com geração de frames por IA representa uma evolução genuína em relação ao que estava disponível até agora em Android.

O elo fraco continua sendo o mesmo de sempre nos dispositivos fora do ecossistema Apple: convencer desenvolvedores de jogos a tratar o Android como plataforma de primeira classe para ports otimizados.

Enquanto isso não acontecer, o ENSS corre o risco de se tornar uma solução tecnicamente sofisticada esperando por um problema que o mercado ainda não decidiu resolver.

Fonte(s): Yonhap News

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