OpenAI pode criar chip para smartphones com Qualcomm e MediaTek para rivalizar com iPhone

Data:

A OpenAI pode estar se preparando para um dos movimentos mais ambiciosos da história recente da tecnologia de consumo: desenvolver seu próprio processador para smartphones em parceria com Qualcomm e MediaTek, com o objetivo de lançar um aparelho que desafiaria diretamente o domínio do iPhone.

A informação veio do analista Ming-Chi Kuo, da TF International Securities, reconhecido por suas previsões precisas baseadas em análise de cadeia de suprimentos.

A notícia foi suficiente para sacudir o mercado financeiro. As ações da Qualcomm subiram cerca de 12% no pré-mercado após a divulgação das informações.

O que Ming-Chi Kuo revelou

Segundo Kuo, a OpenAI está trabalhando ao lado da MediaTek para desenvolver o chip para o smartphone, com a fabricante chinesa Luxshare atuando como co-desenvolvedora do sistema e responsável pela montagem do aparelho. A produção em massa está prevista para 2028.

Os processadores para o chamado “AI agent phone” priorizarão consumo de energia, gerenciamento de hierarquia de memória e execução básica de modelos menores, com o objetivo de compreender continuamente o contexto do usuário, enquanto tarefas mais complexas serão processadas na nuvem.

Reprodução/Ming-Chi Kuo

De acordo com a análise de Kuo, as especificações e os fornecedores devem ser finalizados até o final de 2026 ou no primeiro trimestre de 2027, com volumes anuais de produção estimados entre 300 milhões e 400 milhões de unidades.

A lógica por trás do smartphone

A OpenAI tem uma visão específica do que o smartphone deveria se tornar.

Na perspectiva da empresa, os aplicativos perderiam espaço para agentes de IA operando em tempo real, com o hardware do telefone servindo como coletor do “estado em tempo real completo” do usuário.

“O smartphone é o único dispositivo que captura o estado em tempo real completo do usuário, o que representa o insumo mais importante para a inferência de agentes de IA em tempo real. Somente controlando totalmente o sistema operacional e o hardware é que a OpenAI pode fornecer um serviço completo de agente de IA.”

Ming-Chi Kuo

O analista também ponderou que “os smartphones continuarão sendo a maior categoria de dispositivos em escala pelo futuro previsível”, reforçando a aposta da OpenAI no formato já existente em vez de inventar uma nova categoria de produto.

A estratégia replica a lógica de integração vertical que tornou a Apple tão dominante: controlar o processador, o sistema operacional e a experiência do usuário de ponta a ponta.

A OpenAI já tem um portfólio de hardware em construção

A OpenAI acumula uma série de iniciativas no campo físico que revelam uma estratégia de hardware cada vez mais agressiva.

Em maio de 2025, a OpenAI adquiriu a startup io, do ex-designer-chefe da Apple Jony Ive, por cerca de US$ 6,4 bilhões em ações. Ive e sua equipe passaram a explorar uma nova classe de dispositivos nativos de IA projetados para redefinir a relação das pessoas com a inteligência artificial, indo além de telas e teclados em direção a experiências mais intuitivas.

Divulgação/OpenAI

Em novembro de 2025, o CEO Sam Altman confirmou que os primeiros protótipos do dispositivo estavam prontos, descrevendo o trabalho como “impressionante”.

O produto é concebido como um “terceiro dispositivo central”, ao lado do telefone e do computador, com ênfase em uma relação mais calma com a tecnologia. Altman chegou a comparar a experiência a “sentar em uma cabana à beira de um lago” em oposição ao caos de notificações dos smartphones.

Além disso, a empresa trabalha nos fones de ouvido com IA de codinome “Sweetpea” (que pode chegar ao mercado como “Dime”) e em um dispositivo compacto em formato de caneta, codinome “Gumdrop”, sem tela, capaz de converter anotações manuscritas em texto e enviá-las diretamente ao ChatGPT.

No lado da infraestrutura, a OpenAI fechou em outubro de 2025 uma parceria com a Broadcom para o desenvolvimento de aceleradores de IA personalizados para seus data centers. Greg Brockman, cofundador e presidente da OpenAI, declarou na ocasião que “ao construir nosso próprio chip, podemos incorporar o que aprendemos ao criar modelos e produtos diretamente no hardware.”

O risco para a Apple

Para a Apple, a correria da OpenAI representa uma ameaça em múltiplas frentes.

A empresa de Cupertino enfrenta suas próprias dificuldades no campo da inteligência artificial: a Siri segue muito abaixo das expectativas do setor, e a companhia foi forçada a buscar apoio externo para reposicioná-la, firmando acordo com o Google para que modelos Gemini alimentem a nova versão da assistente de voz.

O projeto da OpenAI poderia representar um desafio significativo ao domínio da Apple no segmento de smartphones, principalmente porque as capacidades de IA nativas da empresa de Cupertino ficam abaixo do esperado diante dos concorrentes.

Uma plataforma construída desde o início para agentes de IA, com chip dedicado, sistema operacional próprio e integração nativa com os modelos mais avançados disponíveis, seria uma proposta radicalmente diferente do que qualquer fabricante oferece hoje.

Confirmação ainda não veio

Um ponto importante: a OpenAI não confirmou oficialmente nenhuma dessas informações. Qualcomm, OpenAI e MediaTek não responderam imediatamente às solicitações de comentário.

Toda a análise parte de verificações de cadeia de suprimentos conduzidas por Kuo, que tem histórico sólido de acertos nesse tipo de apuração, mas que opera no campo da especulação fundamentada enquanto as empresas mantêm silêncio.

Leia também:

2028 como linha de largada de uma nova era

Se as projeções de Kuo se confirmarem, 2028 será o ano em que a OpenAI deixará definitivamente de ser apenas uma empresa de software para se tornar uma fabricante de hardware com ambições de alcançar centenas de milhões de usuários.

O prazo coincide com um momento em que a Apple ainda não firmou sua estratégia de IA e os fabricantes Android buscam diferenciação além das especificações tradicionais.

A pergunta que o mercado começa a formular não é se a OpenAI terá um smartphone, mas se um aparelho construído em torno de agentes de IA conseguirá mudar o comportamento de bilhões de usuários que ainda abrem aplicativos para fazer qualquer coisa.

Nesse sentido, o chip com Qualcomm e MediaTek é apenas o primeiro tijolo de uma construção muito maior.

Fonte(s): Ming-Chi Kuo (X), CNBC e OpenAI

Veja  Os medicamentos para dormir podem causar demência? Novo estudo faz alerta!

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Compartilhe:

spot_imgspot_img

Popular

Mais Posts
Relacionados

TSE prepara ação para quem falar mal das urnas eletrônicas

O Justiça Eleitoral comemora três décadas...

O consignatário terá nova biometria do INSS a partir de maio? Entender

A exigência de Biometria facial INSStambém chamado anuência...

Motoboys com carteira assinada podem ganhar mais R$ 450 com a nova regra

Você motoboys Quem trabalha com carteira...

Samsung Galaxy A57 5G: evoluiu MESMO ou só refinou?

O mercado de smartphones intermediários no Brasil é gigantesco...