A Meta está desenvolvendo um personagem de inteligência artificial baseado em seu fundador e CEO, Mark Zuckerberg, capaz de imitar seus trejeitos, tom de voz e declarações públicas. A informação foi revelada pelo jornal britânico Financial Times e rapidamente repercutiu no setor de tecnologia.
O projeto vai além de uma simples réplica digital: a IA também está sendo treinada com os pensamentos de Zuckerberg sobre a estratégia da empresa, com o objetivo de conversar com os quase 79 mil funcionários da Meta sem ocupar o tempo do executivo — ou quando ele simplesmente não quiser fazer isso pessoalmente.
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O QUE É O CLONE DE IA
O personagem virtual está sendo construído com base em imagens e na voz do próprio Zuckerberg, segundo uma fonte familiarizada com o projeto que conversou com o Financial Times. A ideia é criar um avatar tridimensional gerado por IA capaz de se engajar em conversas do dia a dia com colaboradores da empresa, tornando o CEO mais “presente” mesmo sem estar fisicamente disponível.
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A startup britânica Synthesia, avaliada em US$ 4 bilhões e especializada em avatares de vídeo realistas, afirmou que esse tipo de projeto já deixou de ser ficção científica. “Quando você adiciona vídeo e voz realistas com IA, o engajamento e a retenção aumentam significativamente”, disse um porta-voz da empresa. “As pessoas trabalham melhor quando a informação é entregue por um rosto ou voz familiar.”
NÃO É A PRIMEIRA VEZ
Essa não é a primeira iniciativa de Zuckerberg nesse sentido. Em março deste ano, o Wall Street Journal relatou que o CEO queria que “todos dentro e fora da empresa” tivessem seu próprio agente de IA. O mesmo veículo noticiou que Zuckerberg já conta com um “agente de CEO” — um sistema de IA personalizado que o ajuda a obter informações internas da Meta com mais rapidez.
Em 2022, o executivo chegou a apresentar seu próprio avatar dentro do metaverso, mas a iniciativa foi amplamente ridicularizada pela baixa qualidade gráfica. Ele chegou a publicar uma versão atualizada do avatar logo depois. Desde então, a Meta foi redirecionando seus esforços para personagens 3D gerados por IA com maior capacidade de interação.
CLONE PODE VIRAR TENDÊNCIA ENTRE CRIADORES
A Meta acredita que o experimento com Zuckerberg pode ser replicado por influenciadores e criadores de conteúdo. Aliás, no final de 2024, a empresa já havia anunciado o Creator AI, recurso que permite criar “clones” de pessoas famosas em suas plataformas, gerando respostas automatizadas no estilo do criador para mensagens enviadas por fãs — uma prévia do que agora está sendo desenvolvido para uso interno.
ESTRATÉGIA MAIS AMPLA DE IA
O projeto do clone faz parte de um movimento mais amplo da Meta para integrar IA em toda a sua operação. Zuckerberg tem liderado investimentos bilionários na tecnologia com a ambição de criar o que ele chama de “superinteligência” — um sistema capaz de realizar qualquer tarefa cognitiva com desempenho superior ao humano. A empresa também lançou recentemente o Muse Spark, modelo avançado de IA capaz de estimar calorias de uma refeição por foto e planejar roteiros de viagem em família de forma autônoma.
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A estratégia visa reduzir a estrutura organizacional e aumentar a eficiência. “Estamos valorizando os contribuidores individuais e achatando as equipes”, disse Zuckerberg em janeiro. Com o clone de IA, ele parece querer estar em todo lugar — sem precisar sair de onde está.
Fonte: Financial Times




