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Justiça dos EUA condena Meta e Google por danos à saúde mental de jovens

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Em uma decisão histórica, a Justiça Federal dos Estados Unidos condenou, nesta quarta-feira (25), as empresas Meta e Google, dona do YouTube, por negligência e por causar danos à saúde mental de uma jovem que se tornou dependente de redes sociais ainda na infância. O veredicto foi proferido por 12 jurados em um tribunal de Los Angeles, após nove dias de deliberações, e determinou que as plataformas foram projetadas com mecanismos que levam ao vício.

A autora do processo, uma jovem de 20 anos identificada pelas iniciais K.G.M., relatou que começou a usar o YouTube aos 6 anos e o Instagram aos 9. O uso intensivo das plataformas levou ao desenvolvimento de depressão, ansiedade e dismorfia corporal durante a adolescência. As empresas terão de pagar juntas US$ 6 milhões (cerca de R$ 31,4 milhões) em indenizações.

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A ESTRATÉGIA JURÍDICA QUE MUDOU O JOGO

A chave para a condenação foi a abordagem inovadora dos advogados da jovem. Em vez de atacar o conteúdo publicado nas redes, a acusação mirou na forma como as plataformas são construídas. Os principais mecanismos apontados como viciantes foram:

  • Rolagem infinita: feeds sem fim que garantem fornecimento ilimitado de conteúdo
  • Algoritmos de recomendação: sistema que aprende o que prende o usuário e entrega mais do mesmo
  • Notificações push: alertas programados para trazer o usuário de volta à plataforma
  • Sistema de “curtidas”: recurso que estimula a comparação social e a busca por validação

Essa estratégia contornou a Seção 230 da Lei de Decência nas Comunicações dos EUA, que protege plataformas de responsabilidade por conteúdo de terceiros. Ao focar no design viciante e não no conteúdo, os advogados abriram uma brecha jurídica inédita que pode transformar o modo como a Justiça americana trata as big techs.

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DOCUMENTOS INTERNOS EXPÕEM AS EMPRESAS

Durante o julgamento, o júri teve acesso a e-mails e documentos internos que comprometeram diretamente a Meta. Os registros mais impactantes incluíram:

  • Um pesquisador da empresa que escreveu: “O IG [Instagram] é uma droga… Somos basicamente traficantes”
  • Relatos de que o chefe do Instagram, Adam Mosseri, “surtou” quando funcionários levantaram o tema das doses de dopamina geradas pelo uso da plataforma
  • Documentos de 2013 a 2022 mostrando que aumentar o tempo de uso entre adolescentes era uma meta explícita da empresa

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Mark Zuckerberg, CEO da Meta, foi o executivo de maior destaque a depor no caso. Ele admitiu ter anulado uma proibição de filtros de beleza no Instagram, mesmo diante de pareceres de especialistas que apontavam o risco de dismorfia corporal, priorizando a “liberdade de expressão”.

RESPONSABILIDADE E INDENIZAÇÕES

O júri distribuiu a responsabilidade de forma desigual entre as empresas. Snapchat e TikTok, que também constavam como réus inicialmente, fecharam acordos com a jovem antes do início do julgamento por valores não divulgados.

EmpresaResponsabilidadeIndenizaçãoTotal com punitivos
Meta (Instagram/Facebook)70%US$ 2,1 milhõesUS$ 4,2 milhões
Google (YouTube)30%US$ 900 milUS$ 1,8 milhão
Total100%US$ 3 milhõesUS$ 6 milhões

Os jurados indicaram que danos punitivos adicionais são justificados, com valores a serem definidos em etapas posteriores do processo.

PRECEDENTE PARA MILHARES DE PROCESSOS

O veredicto é considerado histórico porque é a primeira vez que um tribunal americano responsabilizou redes sociais pelo design viciante de suas plataformas, e não pelo conteúdo veiculado. A decisão abre caminho para uma enxurrada de processos semelhantes nos EUA, envolvendo:

  • Milhares de indivíduos com alegações parecidas
  • Distritos escolares que processam as plataformas por impacto no desempenho de alunos
  • Procuradores-gerais estaduais buscando indenizações e mudanças estruturais no design
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O caso tem sido comparado à batalha jurídica contra a indústria do tabaco nos anos 1990, quando fabricantes de cigarro foram responsabilizados não apenas pelos danos à saúde, mas também por criar produtos deliberadamente viciantes. O professor de Direito de Novas Tecnologias de Harvard, Glenn Cohen, avalia que a discussão deverá chegar à Suprema Corte, já que a legislação atual não deixa claro o limite da responsabilidade das plataformas pelo tempo de retenção dos usuários.

REAÇÕES DAS EMPRESAS E CONTEXTO GLOBAL

Tanto a Meta quanto o Google rejeitaram o veredicto e sinalizaram intenção de recorrer:

  • Meta: “Respeitosamente discordamos do veredito e estamos avaliando nossas opções legais”
  • Google: “A decisão interpreta erroneamente o YouTube, que é uma plataforma de streaming construída de forma responsável, não um site de rede social”

O julgamento ocorre em um momento de pressão global crescente sobre as big techs. Veja o cenário ao redor do mundo:

País/RegiãoMedida adotada
AustráliaProibição de redes sociais para menores de 16 anos
EspanhaProibição de redes sociais para menores de 16 anos
Reino Unido e FrançaEstudam medidas restritivas semelhantes
União EuropeiaInvestiga uso de recursos viciantes pelas plataformas
BrasilDebate regulação do acesso de crianças e adolescentes no Congresso

MAIS UMA DERROTA PARA A META

A condenação em Los Angeles não foi a única má notícia para a Meta nesta semana. Na terça-feira (24), um júri no Novo México declarou que a empresa violou a lei estadual em três frentes:

  1. Não proteger crianças de conteúdo sexualmente explícito em suas plataformas
  2. Facilitar o aliciamento de menores por predadores online
  3. Permitir o tráfico de pessoas por meio do Facebook, Instagram e WhatsApp

A Meta foi condenada a pagar US$ 375 milhões em penalidades civis nesse caso e também anunciou que recorrerá da decisão.

Via: ABC

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