Anúncio premiado do Brasil usou deepfake de senadora dos EUA

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DeAndrea Salvador, senadora estadual da Carolina do Norte, nos EUA, iniciou processo judicial contra as empresas norte-americanas Whirlpool e a Omnicom. Isso após descobrir que sua imagem e voz foram manipuladas com inteligência artificial em uma campanha publicitária veiculada no Brasil.

Um tribunal federal dos Estados Unidos registrou a ação em agosto de 2025. O caso envolve a alteração de uma palestra do TED em 2018 da senadora, transformando-a em um anúncio de eletrodomésticos com eficiência energética.

A senadora só tomou conhecimento da manipulação em junho deste ano. Isso porque começou a receber e-mails enigmáticos de pessoas no Brasil. Inicialmente, Salvador acreditou tratar-se de uma tentativa de phishing. A situação ficou clara após um jornalista questioná-la sobre o vídeo, levando-a a realizar buscas online.

“É realmente lamentável ter experimentado tão diretamente o uso indevido da tecnologia, particularmente em uma escala tão grande”, declarou Salvador. A senadora também expressou como o incidente afetou suas aparições públicas: “Agora tenho momentos de hesitação.”

Deepfake

No vídeo manipulado, Salvador aparece dizendo: “em comunidades de baixa renda em São Paulo, o custo médio da conta de luz representa 30% da renda mensal. É aí que a energia se torna um fardo”. Entretanto, essas palavras nunca foram pronunciadas pela senadora, cujo discurso original tratava de questões energéticas na Carolina do Norte, não no Brasil.

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A DM9, subsidiária brasileira da Omnicom, produziu o anúncio para a Whirlpool. O vídeo chegou a ganhar prêmios no Festival Cannes Lions, que posteriormente foram devolvidos quando a agência admitiu o uso de inteligência artificial na produção do material sem autorização.

Na ação judicial, Salvador alega que as empresas praticaram comércio injusto e enganoso ao falsificar seu endosso aos produtos da marca. “Não consegui encontrar um caso, particularmente envolvendo um funcionário eleito, que utilizasse deepfakes e tecnologia de IA dessa forma, comercialmente. Esse foi outro grande motivo para eu querer seguir adiante com este caso… Pode acontecer com qualquer pessoa e com todos”, afirmou.

Após a controvérsia, o Festival Cannes Lions anunciou novos padrões para garantir a “integridade criativa” dos participantes. O caso é considerado um dos primeiros do tipo e pode estabelecer precedentes importantes para situações semelhantes de uso indevido de IA.

O que dizem as empresas?

A Whirlpool e a Omnicom solicitaram a rejeição do processo. Elas argumentam que o comercial não prejudicou a reputação de Salvador. Isso porque o vídeo não foi transmitido nos Estados Unidos. Um representante da Whirlpool afirmou que a empresa não poderia comentar sobre litígios pendentes, mas disse que sua equipe no Brasil não estava ciente da alteração das palavras de Salvador. A Omnicom não respondeu aos pedidos de comentário.

Curiosamente, Salvador possui formação na área de inteligência artificial. A senadora concluiu recentemente um MBA pelo Massachusetts Institute of Technology, com especialização em análise de negócios e foco em aprendizado profundo. Aliás, ela contribui há mais de um ano para um grupo de trabalho bipartidário nacional sobre IA.

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Na legislatura estadual, Salvador patrocinou diversos projetos de lei para regular a inteligência artificial. Incluindo, por exemplo, uma proibição de deepfakes em campanhas políticas e uma iniciativa para criar padrões de rotulagem de conteúdo de IA. Aliás, o governador Josh Stein a nomeou para um novo grupo bipartidário de supervisão sobre IA no governo estadual.

Enquanto isso, agências governamentais da Carolina do Norte já adotam tecnologia de IA em seu trabalho diário. O escritório do tesoureiro estadual realizou um extenso programa piloto com a OpenAI no início de 2025.

Os legisladores, tanto em nível estadual quanto federal dos Estados Unidos, ainda não implementaram regulamentações significativas sobre o uso de inteligência artificial. Além disso, os projetos de lei de Salvador não chegaram a ser discutidos em audiência. Porém, o Congresso dos EUA considera uma proibição de 10 anos para regulamentações estaduais sobre IA.

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