Já é possível ver Netflix em 4K no Chrome, encerrando uma limitação que durava desde a chegada do serviço à web. A confirmação veio em uma atualização discreta da página oficial de suporte da plataforma, sem anúncio ou comunicado da empresa.
A mudança foi identificada pelo site FlatPanelsHD nesta quarta-feira (5). Até então, o navegador do Google travava a reprodução em 1080p, mesmo em assinaturas que dão direito à resolução máxima.
Mas atenção: a liberação ainda não vale para todo mundo. Só funciona em computadores com Windows 11 e hardware específico, além de Chromebooks. Instalações em macOS e Linux continuam limitadas.
Windows 10 fica de fora da liberação
O primeiro filtro é o sistema operacional. A Netflix exige Windows 11 com as atualizações mais recentes instaladas para reproduzir conteúdo em Ultra HD pelo navegador.
Computadores com Windows 10 seguem restritos ao Full HD, ainda que o serviço funcione normalmente neles. Máquinas com Windows 7, 8 ou 8.1 reproduzem apenas em definição padrão.
A versão do navegador também importa. O Chrome precisa estar na build 117 ou superior, enquanto o Microsoft Edge exige a versão 118 ou mais recente.

Placas de vídeo e processadores aceitos
O segundo filtro é o hardware gráfico. A plataforma lista três caminhos possíveis, e basta atender a um deles.
| Componente | Requisito mínimo |
|---|---|
| Placa de vídeo Nvidia | GeForce GTX 1050 ou superior |
| Placa de vídeo AMD | Radeon RX série 400 ou superior |
| Processador Intel | Core de 7ª geração ou superior |
| Processador AMD | Qualquer chip da linha Ryzen |
A GTX 1050 chegou ao mercado em outubro de 2016 e a série Radeon RX 400 estreou em junho do mesmo ano. Os processadores Intel Core de 7ª geração, codinome Kaby Lake, também são de 2016, e o primeiro Ryzen apareceu em março de 2017.
Isso significa que a barreira de hardware não é alta… Praticamente qualquer computador montado a partir de 2017 atende ao requisito, desde que os drivers gráficos estejam atualizados.
Tela e conexão entram na conta
A exigência que costuma derrubar mais gente está no monitor, a Netflix pede uma tela integrada de 4K a 60 Hz, ou um monitor ou televisor externo de 4K a 60 Hz com conexão compatível com HDCP 2.2.
Quem usa mais de um monitor precisa prestar atenção redobrada. Todas as telas ativas no momento da reprodução devem atender aos mesmos requisitos, sem exceção.
A velocidade de conexão mínima é de 15 megabits por segundo estáveis. A qualidade de reprodução na conta precisa estar configurada como Automática ou Alta.
Codec HEVC pode gerar custo extra
Existe uma pegadinha pouco divulgada envolvendo o codec de vídeo. Nem todo computador com Windows 11 sai de fábrica com o HEVC instalado, e sem ele a reprodução em Ultra HD simplesmente não acontece.
“Alguns aparelhos com Windows 11 não vêm com o codec HEVC necessário para transmitir vídeo em Ultra HD (4K)”
Nesses casos, a saída indicada pela própria empresa é comprar a extensão de vídeo HEVC na Microsoft Store, um pacote pago vendido à parte. O mesmo requisito vale para reprodução em HDR.
A dependência do HEVC explica em parte a demora, já que codec envolve licenciamento pago e patentes, o que historicamente atrasou sua adoção em navegadores e em serviços de streaming que rodam na web.

Chrome libera 4K, mas não libera HDR
Há ainda uma diferença relevante entre o Chrome e as demais opções no Windows. O navegador do Google agora chega ao Ultra HD, porém a tabela oficial da Netflix não credita suporte a HDR a ele.
O Microsoft Edge e o aplicativo da Netflix para Windows aparecem listados com Ultra HD e HDR. Firefox e Opera permanecem travados em 1080p.
| Navegador ou app no Windows | Resolução máxima |
|---|---|
| Google Chrome | Até Ultra HD (2160p) |
| Microsoft Edge | Até Ultra HD (2160p) com HDR |
| Aplicativo da Netflix | Até Ultra HD (2160p) com HDR |
| Mozilla Firefox | Até Full HD (1080p) |
| Opera | Até Full HD (1080p) |
Quem depende de HDR10 ou Dolby Vision, portanto, ainda precisa recorrer ao Edge ou ao aplicativo dedicado.
Mac e Linux seguem sem Ultra HD pelo Chrome
Em computadores da Apple, o Chrome continua limitado a 1080p. O caminho para o 4K no macOS passa pelo Safari, que exige macOS 11 ou superior.
O Edge no Mac tem o teto mais baixo de todos, com apenas 720p. Firefox e Opera entregam Full HD.
Em Linux, a situação é ainda mais restritiva. Chrome, Firefox e Edge reproduzem no máximo em 720p, e apenas o Opera alcança 1080p. A Netflix registra na própria documentação que não garante funcionamento em distribuições Linux nem oferece suporte técnico para elas.
Chromebooks entram na liberação
Os notebooks com ChromeOS também passaram a figurar entre os aparelhos aptos ao Ultra HD, desde que rodem o Chrome 117 ou superior e atendam a requisitos próprios de hardware.
A inclusão faz sentido técnico, já que o navegador é o próprio ambiente do sistema do Google nesses aparelhos. A versão mínima do ChromeOS exigida para rodar a Netflix é a 76.
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Plano Premium é pré-requisito no Brasil
Nada disso funciona sem a assinatura certa. No Brasil, apenas o plano Premium, de R$ 59,90 mensais, dá acesso à resolução 4K com HDR e a quatro telas simultâneas.
Os planos Padrão com Anúncios, a R$ 20,90, e Padrão, a R$ 44,90, ficam travados em Full HD independentemente do navegador ou do hardware do computador. Trocar de browser não resolve nesses casos.
Vale lembrar ainda que nem todo o catálogo está disponível em Ultra HD. A resolução máxima depende de o título ter sido masterizado nesse formato, algo que varia bastante entre produções originais e conteúdo licenciado.
Fonte(s): Netflix



