Divisão de celulares da Samsung pode lucrar apenas 1% do que área de chips ganhará neste trimestre

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A divisão de celulares da Samsung caminha para um trimestre constrangedor dentro de casa. Uma projeção indica que o lucro do negócio de smartphones no segundo trimestre de 2026 pode equivaler a cerca de 1% do que a área de semicondutores deve embolsar no mesmo período, com risco real de o setor mobile fechar a conta no vermelho.

A previsão veio do tipster Ice Universe (@UniverseIce), em publicação no X no dia 20 de junho, e foi repercutida pela Wccftech. O contraste cria uma hierarquia desconfortável de ricos e pobres convivendo sob o mesmo telhado corporativo.

Lucro do mobile pode equivaler a 1% do dos chips

O ponto central é a diferença de escala entre as duas pontas da empresa. Enquanto a unidade de chips vive um ciclo de bonança, puxado pela alta da memória, a operação de aparelhos amarga margens espremidas e pode registrar lucro próximo de zero na comparação relativa.

Em abril, fontes do setor já indicavam que TM Roh, chefe das divisões DX e MX da Samsung, havia alertado a diretoria sobre a possibilidade de a unidade de celulares amargar seu primeiro prejuízo anual da história, justamente num momento em que os produtos vendem bem.

O abismo aparece nos bônus

A disparidade fica nítida quando o assunto é a bonificação que cada funcionário deve levar para casa neste ano.

Com a expectativa de a Samsung registrar lucro operacional na casa dos 300 trilhões de won (cerca de R$ 1 trilhão), o pessoal ligado à memória entrou num acordo que prevê um bônus especial equivalente a 10,5% desse resultado anual.

Na prática, os números ficam assim:

DivisãoBônus estimado em 2026Equivalência aproximada
Semicondutores (memória)~600 milhões de wonUS$ 400 mil (~R$ 2 milhões)
Mobile (celulares)~6 milhões de wonUS$ 4 mil (~R$ 20 mil)

A diferença chega a cerca de 100 vezes. Um trabalhador da memória pode receber US$ 400 mil em bônus, ao passo que um colega da área de smartphones leva por volta de US$ 4 mil. Os valores em real seguem a cotação atual e não consideram tributos locais.

A crise de memória por trás do aperto

O maior vento contrário para o setor mobile tem nome: a chamada “chipflation” da memória, ou RAMpocalypse, como o mercado apelidou.

As três fabricantes que controlam a maior parte da produção de DRAM, Samsung, SK Hynix e Micron, vêm redirecionando capacidade para a memória de alta largura de banda usada nos aceleradores de inteligência artificial, que rende margens muito maiores.

Sobra menos chip para aparelhos de consumo, e o preço dispara. A Morgan Stanley calcula que o custo da memória subiu mais de seis vezes no último ano. A pressão é tão grande que até a Apple veio a público admitir o problema pela boca de seu CEO.

“Infelizmente, os aumentos de preço são inevitáveis.”

Tim Cook, CEO da Apple, ao Wall Street Journal

Preços do Galaxy Z Fold 8 devem subir

Esse cenário já empurra a Samsung a reajustar a próxima geração de dobráveis. Segundo o vazador Anthony (@TheGalox_), em publicação de 17 de junho, o Galaxy Z Fold 8 e o Z Fold 8 Ultra terão aumento em toda a linha, com Europa e Ásia como mercados mais afetados.

O Z Fold 8 Ultra deve passar de € 1.999, cerca de R$ 11.800 pela conversão atual, sem incluir impostos brasileiros nem taxas de importação. O salto seria de mais de € 100 sobre a expectativa anterior.

O risco é claro: telefones mais caros tendem a esfriar a demanda justamente pelos produtos que deveriam puxar a margem da divisão.

O paradoxo de vender bem e lucrar pouco

A ironia é que os celulares da Samsung não estão encalhados. O Galaxy S26 Ultra quebrou recorde de pré-venda na Coreia do Sul, ficou 25% acima da linha S25 nos Estados Unidos e 20% acima na Europa. A IDC apontou a fabricante como líder global no primeiro trimestre, com 62,8 milhões de unidades enviadas.

O problema mora na conta de componentes, a Counterpoint estima que a lista de peças (BoM) de um flagship acima de US$ 800 deve subir de US$ 100 a US$ 150, com a memória respondendo pela maior fatia: 23% do custo vão para a RAM e 18% para o armazenamento.

Some-se a isso o encarecimento dos próprios chipsets de ponta, e o resultado é uma dupla pressão. A empresa vende mais e melhor, mas vê o lucro da operação de smartphones evaporar a cada peça que precisa comprar mais cara.

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Reflexo no bolso do consumidor brasileiro

Para quem compra no Brasil, o recado é direto. A Samsung detém cerca de 50% do mercado nacional, segundo Rafael Aquino, diretor da Samsung Brasil, o que significa que qualquer reajuste na tabela da líder dita o ritmo do setor inteiro.

Os modelos de entrada tendem a sofrer mais. Aquino admitiu que o aumento de custos pesa de forma desproporcional sobre os aparelhos mais baratos, cujo público é também o mais sensível a preço.

O exemplo já apareceu lá fora, o Galaxy A07 5G subiu 42% na Índia. Se a mesma lógica chegar por aqui, o sucessor do atual “baratinho” da marca poderia saltar dos cerca de R$ 600 do varejo para algo perto de R$ 1.300, mais que dobrando o que o consumidor está acostumado a pagar.

Fonte(s): Ice Universe (@UniverseIce) no X e Anthony (@TheGalox_) no X

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