Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Cornell, nos EUA, revelou que problemas técnicos durante videochamadas afetam a percepção de confiabilidade de participantes participando de processos seletivos para vagas de emprego.
Os resultados demonstram que falhas, como telas congeladas e atrasos na transmissão, por exemplo, influenciam negativamente decisões em contextos importantes. Incluindo entrevistas de emprego, consultas médicas e audiências judiciais.
A pesquisa identificou que mesmo interrupções mínimas são suficientes para prejudicar como as pessoas são percebidas em termos de competência e confiabilidade. Esses efeitos foram documentados em diversos cenários profissionais e institucionais.
Impactos em diferentes contextos
Na área da saúde, a confiança nas orientações médicas apresentou uma queda significativa. Conforme revela o estudo, apenas 61% dos participantes confiaram em conselhos médicos transmitidos por meio de videochamadas com problemas técnicos, em comparação com 77% daqueles que receberam as mesmas orientações sem falhas na comunicação.
No âmbito judicial, a análise de audiências online mostrou resultados preocupantes. Pessoas cujas videochamadas apresentavam falhas técnicas tinham probabilidade 12% menor de conseguir liberdade condicional.
Metodologia da pesquisa
A professora assistente Jacqueline Rifkin e sua equipe realizaram experimentos em laboratórios da Universidade Cornell antes de expandir a análise para situações reais. Os pesquisadores examinaram como diferentes grupos reagiam às falhas técnicas durante interações virtuais.
Para verificar se o efeito se manifestava em contextos reais, a equipe analisou 472 audiências judiciais realizadas online. Os experimentos incluíram tribunais que adotaram audiências virtuais e consultas médicas remotas.
Explicação do fenômeno
A coautora Melanie Brucks, da Universidade Columbia, acrescentou: “a simples presença dessas pequenas falhas durante a chamada reduziu significativamente o interesse das pessoas em interagir com o vendedor”.
Para explicar o fenômeno psicológico por trás desse efeito, Rifkin comentou: “a melhor característica das videochamadas é o fato de você basicamente se sentir como se estivesse junto. E então, quando há uma falha, você está exatamente naquela zona de perigo onde é quase perfeito, mas não totalmente, o ‘vale da estranheza’. Isso aciona um mecanismo no seu cérebro que faz com que as coisas pareçam um pouco assustadoras”.
Os resultados indicam que vieses relacionados à confiança, desencadeados por problemas técnicos durante videochamadas, podem distorcer resultados em processos institucionais importantes, frequentemente sem que os participantes percebam essa influência.
Ainda não está claro se instituições judiciais e de saúde estão cientes desse viés ou se já implementaram medidas para mitigá-lo. Além disso, não há informações sobre qual seria o nível mínimo de qualidade técnica necessário para evitar esse efeito negativo.
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