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Neuralink no cérebro: o que o 1º implante em humano realmente significa

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A empresa Neuralink, fundada por Elon Musk, implantou seu primeiro chip cerebral em um ser humano nos Estados Unidos no ano passado. O anúncio foi feito pelo próprio empresário no começo de 2024 através de sua rede social X, o antigo Twitter. Na ocasião, o bilionário afirmou que o paciente estava “se recuperando bem” e os resultados iniciais demonstraram “detecção promissora de picos neuronais“.

O dispositivo, denominado Telepathy, foi desenvolvido para registrar informações relacionadas ao movimento no córtex cerebral. O objetivo é permitir controle de computadores apenas com o pensamento.

Conforme reportado pela Scientific American, a tecnologia representa um avanço significativo no campo das interfaces cérebro-máquina. “Imagine se Stephen Hawking pudesse se comunicar mais rápido do que um digitador veloz ou um leiloeiro. Esse é o objetivo”, afirmou Musk sobre as capacidades da tecnologia.

O procedimento ocorreu oito meses após o FDA, a Anvisa dos EUA, ter autorizado os ensaios clínicos em humanos para a Neuralink em maio de 2023. Esta aprovação marcou uma nova fase nos testes da empresa.

O que dizem os especialistas sobre o dispositivos da Neuralink

Conforme explica John Donoghue, especialista em interfaces cérebro-computador da Universidade Brown, o desenvolvimento não surpreendeu a comunidade científica, pois Musk “disse que ia fazer isso”. De acordo com Donoghue, a Neuralink construiu seu trabalho com base em pesquisas anteriores. “Ele já havia feito o trabalho preliminar, baseado no trabalho de outros, incluindo o que nós começamos a fazer no início dos anos 2000.”

O paciente que recebeu o implante participa do primeiro estudo clínico da Neuralink com humanos. Aliás, recrutamento para este estudo começou em setembro de 2023, com foco em pessoas com tetraplegia.

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Um robô cirúrgico realizou o procedimento, inserindo o dispositivo no córtex cerebral do paciente. A cirurgia aconteceu nos Estados Unidos, onde a Neuralink está sediada e obteve as aprovações regulatórias necessárias.

O sistema da Neuralink possui um chip e mais de 1.000 eletrodos ultrafinos e flexíveis inseridos no córtex cerebral. A tecnologia capta sinais elétricos das células cerebrais, processa as informações e possibilita o controle dispositivos eletrônicos.

A Neuralink deverá continuar seus testes clínicos com mais pacientes, conforme aprovado pela FDA. Os objetivos imediatos da empresa estão alinhados com o desenvolvimento de teclados neurais e dispositivos similares já utilizados por pessoas com paralisia.

Especialista prega cautela em relação ao uso da tecnologia

Quando Musk fundou a empresa em 2016, suas ambições originais incluíam a “turbinar” cérebros humanos com a tecnologia de inteligência artificial.

Sobre a “detecção promissora de picos neuronais” mencionada por Musk, Donoghue explicou: “Em geral, isso significa o seguinte: existem potenciais de ação [os impulsos elétricos que as células nervosas criam], e há uma sonda no cérebro captando os sinais presentes.” Ele ressaltou a necessidade de cautela: “Preciso permanecer aberto ao que isso realmente significa. Preciso ver os dados. E as entidades comerciais fazem esse tipo de implementação gradual. O perigo disso, claro, é: amanhã pode parar de funcionar.”

O principal diferencial da Neuralink em relação a iniciativas semelhantes está no volume de investimento, estimado em aproximadamente US$ 100 milhões. A empresa conseguiu reunir conhecimentos acumulados por diversos pesquisadores ao longo de décadas.

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Tecnologia é promissora, mas ainda tem limitações

A tecnologia sem fio representa um avanço importante. No entanto, ela enfrenta algumas limitações técnicas importantes. O sistema utiliza conexão Bluetooth, que possui restrições de largura de banda e não consegue separar completamente os sinais de cada neurônio individual.

Entretanto, especialistas afirmam que, mesmo com essa mistura de sinais, o dispositivo funciona de maneira satisfatória para seus propósitos atuais.

Ademais, Musk estabeleceu objetivos ambiciosos para a Neuralink, como restaurar a visão em pessoas cegas e devolver mobilidade a pessoas com deficiências físicas. O bioengenheiro Ed Maynard, que trabalha com interfaces cérebro-máquina desde 1999, comentou: “Temos objetivos modestos: queremos fazer com que cegos enxerguem, paralíticos se movam e surdos ouçam novamente.” Esta visão circula no meio científico há aproximadamente 25 anos, segundo especialistas.

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