O Embraer deu um novo passo em sua estratégia global ao anunciar um acordo de bilhões de dólares para fabricar aeronaves na Índia, em parceria com Adani Defesa e Aeroespacial. O entendimento prevê a instalação de uma linha de montagem em território indiano, cooperação em toda a cadeia industrial e ações estruturadas de formação de mão de obra, marcando uma expansão significativa da indústria aeronáutica brasileira em um dos mercados de aviação regional mais dinâmicos do mundo.
Como foi o acordo anunciado pela Embraer?
O Memorando de Entendimento assinado em Nova Deli prevê uma nova unidade de produção para abastecer a procura interna indiana e os mercados potencialmente vizinhos na Ásia.
Embora o valor financeiro não tenha sido divulgado, o projeto é descrito como bilionário devido à escala de investimentos, criação de empregos e futuros contratos de aeronaves. Também reforça a presença do Brasil nas cadeias globais de valor em um momento de retomada da aviação regional.
Quais são os pilares do ecossistema industrial previstos na parceria?
Segundo comunicado da empresa, o acordo abrange quatro frentes principais: fabricação de aeronaves, cadeia de mantimentos, serviços pós-venda e treinamento de piloto. O desenho deste ecossistema visa integrar fornecedores locais, reduzir custos logísticos e garantir um apoio técnico próximo aos operadores indianos.
Para esclarecer como esse ecossistema funcionará na prática, destacam-se alguns elementos estruturantes do projeto conjunto entre Embraer e Adani:
- Integração de fornecedores indianos na cadeia global de componentes aeronáuticos.
- Centros de manutenção, reparo e revisão (MRO) dedicados à frota regional.
- Programas de treinamento para pilotos, técnicos e engenheiros locais.
- Suporte pós-venda com estoques avançados de peças em território indiano.
Por que a Índia se tornou prioridade na estratégia global da Embraer?
A Índia é hoje um dos mercados mais promissores para jatos regionais e aeronaves de médio porte, com forte crescimento na aviação nacional. O aumento da renda da população, o desenvolvimento das cidades médias e as políticas públicas de conectividade aérea aumentam a demanda por aeronaves eficientes.
O Embraer já mantém presença consolidada no país, com quase 50 aeronaves em operação na aviação comercial, executiva e militar. Modelos como o Legado 600 e o Netra AEW&C atendem a Força Aérea Indiana, enquanto empresas como a Star Air operam jatos E175 e ERJ145, reforçando a importância estratégica deste mercado.
Quais os impactos da parceria com a Adani Defence & Aerospace?
Cooperação com o Adani Defesa e Aeroespacial conecta a Embraer a um conglomerado com forte presença em infraestrutura, energia e logística, além de presença crescente em defesa. Para a Embraer, isso significa acesso a uma estrutura industrial robusta, conhecimento regulatório local e capacidade de investir em projetos de longo prazo.
A nova base de produção na Índia complementará a existente São José dos Campos, Gavião Peixoto, Botucatu e Taubatéalém de unidades nos Estados Unidos e em Portugal. Esta diversificação geográfica ajuda a reduzir prazos de entrega, mitigar riscos logísticos e atender a uma carteira de pedidos que já se aproxima de 500 aeronaves.


