DJI e Insta360 despacharam juntas, em 2025, mais que o dobro das câmeras mirrorless de toda a indústria tradicional. A conta é do site CineD, que cruzou dados da IDC com os da CIPA, a associação japonesa que reúne Canon, Nikon, Sony, Panasonic e Fujifilm. A DJI sozinha superou a soma de todos os membros da entidade.
Só que a comparação mede unidades, não dinheiro, e junta dois levantamentos feitos de formas diferentes. Por isso, os números pedem leitura com cuidado.
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Os números da IDC e da CIPA
A IDC calcula o que chama de câmeras portáteis inteligentes: câmeras de ação, câmeras 360 e câmeras com gimbal, como a linha Osmo Pocket. Celulares e câmeras de lente intercambiável ficam de fora.

Como a DJI passou de 10 milhões e a Insta360 ficou com um quinto do mercado, as duas somam mais que o dobro dos 6,3 milhões de mirrorless. GoPro e todas as outras marcas dividem menos de um décimo do segmento.
| Indicador | Valor | Fonte |
|---|---|---|
| Câmeras portáteis da DJI em 2025 | Mais de 10 milhões | IDC |
| Todas as câmeras dos membros da CIPA em 2025 | Cerca de 9,4 milhões | CIPA |
| Mirrorless da CIPA em 2025 | Cerca de 6,3 milhões | CIPA |
| Câmeras portáteis no 2º trimestre de 2026 | 5,88 milhões, alta de 57% | IDC |
| Fatia da DJI no trimestre | 73%, ou 4,28 milhões | IDC |
| Fatia da Insta360 no trimestre | 20% | IDC |
| Receita do segmento no trimestre | 15,7 bilhões de yuans, cerca de R$ 12,2 bilhões | IDC |
Em 2026, a distância cresceu, porque no primeiro semestre as câmeras portáteis avançaram perto de 50%, enquanto as de lente intercambiável da CIPA caíram uns 5%. As mirrorless ficaram estáveis, com queda de 2%.
GoPro pela metade e preços em queda
A IDC estima que os embarques de câmeras de ação da GoPro caíram pela metade em um ano, e o balanço da própria empresa aponta na mesma direção, com vendas de câmeras 38% menores.
As câmeras com gimbal viraram o maior segmento, à frente das de ação, com alta de 87%.

Volume alto, porém, não virou lucro… A Insta360, que tem capital aberto em Xangai, viu a receita crescer cerca de 50% no semestre, e o lucro caiu 94%. Ela cita o preço da memória, o estoque de chips, o investimento no drone 360 e a concorrência. A DJI não publica números.
“Menos câmeras, mais dinheiro por câmera.”
Nino Leitner, do CineD, sobre as fabricantes de mirrorless
Do lado japonês, segundo a CIPA, as fabricantes de mirrorless embarcam um pouco menos de corpos, mas o valor total sobe, e as compactas cresceram 16% no semestre.
O que a comparação não mostra
Entre os limites que o CineD aponta, o primeiro é a falta de dados do mercado de cinema, porque Blackmagic, ARRI e RED não divulgam unidades, e a CIPA não separa as linhas de vídeo da Canon e da Sony.
Os dois levantamentos também nascem diferentes, já que a CIPA soma o que as associadas informam, e a IDC estima, sem ter como conferir os números de uma empresa fechada como a DJI. Ambos contam embarques, e não vendas ao consumidor.
Por fim, uma câmera com gimbal de algumas centenas de dólares e um corpo mirrorless são compras muito diferentes, e o maior vendedor de câmeras de todos, o smartphone, não aparece em nenhuma das listas.
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Oppo e Vivo na fila para apertar os preços
A IDC projeta que o segmento chegue perto de 41 milhões de câmeras por ano em 2030. Antes disso, a imprensa chinesa fala em câmeras com gimbal da Oppo e da Vivo, com a Oppo mirando o fim deste ano, informação que ainda não foi confirmada pelas empresas.
Se as fabricantes de celular entrarem com as próprias redes de varejo, a pressão de preço tende a continuar. Para o consumidor, o efeito já aparece nos sensores de 1 polegada e no vídeo em 10 bits que hoje cabem no bolso.
Fonte(s): CineD, TechNode e CIPA



