Seis em cada dez celulares acima de US$ 600 vendidos no mundo durante o primeiro semestre de 2026 levaram a marca da Apple. A companhia fechou o período com 65% do segmento premium, segundo levantamento da Counterpoint Research publicado em 4 de agosto.
O corte de US$ 600 adotado pela consultoria considera o preço de atacado, cerca de R$ 3.060 pela cotação comercial desta sexta-feira (7), valor que não inclui impostos brasileiros nem taxas de importação. O preço final ao consumidor fica bem acima disso em qualquer mercado.
A faixa premium respondeu por 29% de todas as vendas globais de celulares no semestre, maior participação já registrada para um primeiro semestre. O índice era de 25% um ano antes e de 20% em 2022.
Participação sobe, mas segue distante do pico de 2022
O avanço da Apple de 63% para 65% em doze meses recupera parte do terreno perdido desde 2022, quando a fabricante controlava 74% do segmento. A queda ao longo do período acompanhou o fortalecimento das marcas chinesas nos topos de linha vendidos dentro da própria China.

A Samsung ficou com 19%, mesmo patamar do primeiro semestre de 2025 e dois pontos acima do resultado de 2022. Somadas, as duas empresas responderam por 84% das vendas premium, contra 82% um ano antes.
Sobra pouco espaço para as demais fabricantes. O conjunto formado por Huawei, Xiaomi, Oppo, vivo, Honor e todas as outras dividiu os 16% restantes.
| Participação no segmento premium | H1 2022 | H1 2025 | H1 2026 |
|---|---|---|---|
| Apple | 74% | 63% | 65% |
| Samsung | 17% | 19% | 19% |
| Demais fabricantes | 9% | 18% | 16% |
| Premium sobre o mercado total | 20% | 25% | 29% |
iPhone 17 básico puxa a retomada
O crescimento de 9% da Apple no semestre veio do desempenho da linha iPhone 17, com peso concentrado no modelo de entrada. A Counterpoint aponta que o resultado reverteu a retração do ano anterior, atribuída ao acirramento da disputa no mercado chinês.

O modelo básico já havia liderado o ranking global de aparelhos mais vendidos no primeiro trimestre de 2026, com 6% do total de unidades comercializadas no planeta. As três primeiras colocações daquela lista ficaram com variantes da mesma família.
No segundo trimestre, a companhia alcançou participação recorde de 20% das remessas globais de celulares e cerca de 49% da receita do setor, segundo a mesma consultoria. O período foi de retração generalizada, com queda de aproximadamente 11% no volume mundial de aparelhos enviados.
Samsung mantém 19% com o Galaxy S26 Ultra à frente
A sul-coreana cresceu 3% nas vendas premium mesmo com a linha Galaxy S26 lançada mais tarde que o habitual. O Galaxy S26 Ultra respondeu por mais da metade das vendas de toda a série no semestre.
A Counterpoint credita parte desse desempenho ao Privacy Display, tecnologia de tela que bloqueia a visualização lateral do conteúdo e estreou no modelo. O recurso funcionou como diferencial em um portfólio que mudou pouco em relação à geração anterior.

O resultado comercial contrasta com o quadro financeiro da divisão. A Mobile eXperience, unidade responsável por celulares, tablets e vestíveis, registrou prejuízo operacional no segundo trimestre de 2026 apesar do aumento de receita na comparação anual.
Oppo e vivo crescem mais rápido que os líderes
As taxas de expansão mais altas do semestre não vieram do topo da tabela. A Oppo avançou 69% nas vendas premium, puxada pela série Find X9, enquanto a vivo cresceu 20% com a linha X300.
Os percentuais partem de bases muito menores, o que amplia o efeito estatístico. Ainda assim, a diferença de ritmo mostra onde está a pressão competitiva sobre Apple e Samsung, especialmente na China, maior mercado premium do mundo.
| Marca | Crescimento anual nas vendas premium |
|---|---|
| Oppo | +69% |
| vivo | +20% |
| Apple | +9% |
| Samsung | +3% |
| Segmento premium (total) | +5% |
Alta da memória empurra o consumidor para o topo
A escassez global de DRAM e NAND encareceu componentes ao longo de 2026 e atingiu com mais força os aparelhos de entrada e intermediários, categorias em que a margem por unidade é estreita. Fabricantes de volume repassaram os aumentos, e a distância de preço entre o intermediário premium e o topo de linha diminuiu.
O efeito é contraintuitivo: parte dos compradores que buscava um smartphones intermediário acabou migrando para modelos de faixa superior, sobretudo topos de linha da geração anterior com desconto. Foi um dos motores do recorde de 29%.
O analista sênior da Counterpoint responsável pelo estudo resumiu o movimento:
“A alta dos custos de memória e de componentes está remodelando a precificação dos smartphones e criando oportunidades para as fabricantes acelerarem a premiumização. Conforme os preços dos intermediários Android sobem, a diferença em relação aos aparelhos premium, principalmente modelos de linha antiga ou com desconto, fica menor”, afirmou Harshit Rastogi.
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Financiamento e recompra viram argumento de venda
Com o preço médio subindo, as fabricantes passaram a competir também nas condições de pagamento. A Samsung ampliou o Galaxy Forever, programa de troca com valor de recompra garantido, para mais mercados, e lançou o Galaxy Card. A Apple respondeu com o Apple Upgrade e elevou os valores pagos em aparelhos usados.
A ideia desses programas é encurtar o ciclo de troca: consumidores vinham segurando aparelhos caros por mais tempo, e o financiamento tenta diluir o impacto do reajuste sem exigir corte de preço de tabela.
A Counterpoint projeta continuidade da premiumização, apoiada em melhor compra de componentes, demanda estável e crédito. A consultoria também estima que a escassez de memória se estenda até o fim de 2027, o que mantém a pressão sobre quem depende de volume em vez de margem.
Fonte(s): Counterpoint Research e iClarified



