A Apple planeja apresentar seus primeiros óculos inteligentes durante a Conferência Mundial de Desenvolvedores (WWDC) de junho de 2027, com chegada ao consumidor até o final do mesmo ano, segundo informações de Mark Gurman, jornalista do renomado site internacional Bloomberg.
O dispositivo, desenvolvido sob o codinome N50 dentro do grupo de hardware Vision, enfrenta um impasse interno que cria uma disputa entre as equipes de engenharia e marketing: incluir ou não uma câmera no produto final.
A indefinição levou ao adiamento do cronograma original, que previa o anúncio ainda em 2025, e reflete o esforço da companhia para calibrar a privacidade antes de entrar em uma categoria marcada por controvérsias.

O legado incômodo da Meta e o cálculo de reputação da Apple
A cautela da Apple é uma resposta direta à experiência da Meta com os óculos Ray-Ban. O produto vendeu mais de 7 milhões de unidades, mas a câmera embutida se tornou alvo de queixas recorrentes de privacidade.
Há registros de mulheres filmadas em público sem consentimento e outros relatos igualmente problemáticos.
Executivos da Apple avaliam que o simples ato de entrar nesse segmento já ameaça a reputação de privacidade construída ao longo de mais de uma década. A empresa prepara seguranças que superam as adotadas por Meta e Samsung.
As proteções que a Apple pretende implementar
A estratégia de proteção se apoia em três pilares: processamento integral no dispositivo, rejeição ao reconhecimento facial e veto a qualquer funcionalidade similar ao modo de supersensoramento proposto pela Meta.
Esse modo analisaria o ambiente continuamente sem acionar a luz indicadora de gravação. A Apple também descarta o uso de terceirizados para revisar imagens dos óculos, prática que a própria companhia já enfrentou em controvérsia anterior envolvendo a assistente de voz Siri.
Os dois caminhos em debate para o hardware do N50
Duas alternativas dividem as discussões internas. A primeira mantém o conjunto completo de câmeras, mas desabilita por completo a gravação de fotos e vídeos, restringindo o uso dos sensores para fornecer dados visuais para ferramentas de inteligência artificial encarregadas de identificar objetos e lugares.
A segunda opção elimina o hardware de câmera do projeto. O dispositivo, neste modelo, ofereceria acesso à Siri com as mãos livres, reprodução de música e chamadas telefônicas, sem capacidade alguma de captura de imagem ou áudio ambiente.

O custo estratégico de remover o recurso mais popular
Ambas as abordagens sacrificam o que tornou os óculos da Meta um sucesso comercial: a produção descomplicada de vídeos em primeira pessoa de viagens, crianças e eventos esportivos.
A decisão da Apple envolve, portanto, um cálculo entre funcionalidade atrativa e blindagem reputacional.
O contexto regulatório e corporativo que pressiona a indústria
O problema de privacidade não é isolado. Tribunais do estado de Nova York já proíbem óculos inteligentes em suas dependências. A Royal Caribbean vetou os dispositivos em cassinos, banheiros e áreas infantis de seus navios.
A Samsung classificou a situação como um problema compartilhado pela indústria, que exige solução coletiva.
A Apple se prepara para um dos ciclos de produto mais relevantes de sua trajetória em 2027, ano em que também são esperados o iPhone de 20º aniversário, um dobrável de segunda geração, AirPods equipados com câmera e novos modelos de Mac.
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O alerta das AirTags e a inevitabilidade dos problemas de uso indevido
A companhia conhece os limites das boas intenções. As AirTags, projetadas para localizar objetos pessoais, foram rapidamente associadas a episódios de perseguição.
Óculos com câmera tendem a gerar complicações similares. A expectativa é que a Apple dedique anos à atualização de software e à colaboração com órgãos reguladores para combater esses efeitos indesejados.
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Fonte: TNW



