A Meta desativou oficialmente, na última sexta-feira (8), o recurso de criptografia ponta a ponta opcional para as mensagens diretas (DMs) do Instagram. A decisão foi comunicada progressivamente aos usuários desde março de 2026, quando a empresa atualizou silenciosamente os termos de uso do aplicativo, marcando uma reversão significativa na política de privacidade da plataforma.
A mudança afeta todos os usuários globais que haviam ativado o modo de mensagens criptografadas. A justificativa oficial da Meta é que pouquíssimas pessoas optaram por usar o recurso, que exigia ativação manual para cada conversa individualmente, o que criava etapas extras e desestimulava a adoção. Com o encerramento, o Instagram passa a operar apenas com criptografia padrão.
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O QUE MUDA PARA OS USUÁRIOS
Com o fim da proteção adicional, a Meta passa a deter tecnicamente as chaves de acesso aos conteúdos trocados nas DMs. O modelo adotado agora é semelhante ao utilizado por serviços como Gmail, no qual a plataforma pode acessar mensagens para cumprir ordens judiciais ou moderar conteúdo que viole as diretrizes da comunidade. Para quem tinha conversas protegidas, o processo para preservar os dados é simples:
- Atualize o aplicativo para a versão mais recente disponível na loja do seu dispositivo
- Acesse as notificações internas enviadas pela Meta com o link de exportação
- Selecione as conversas que deseja salvar, incluindo textos, fotos, vídeos e áudios
- Baixe o arquivo exportado antes do prazo de exclusão definitiva do modo criptografado
- Armazene o backup em um serviço de nuvem ou na memória local do dispositivo

BAIXA ADESÃO COMO ARGUMENTO
Em nota enviada à imprensa, um porta-voz da Meta declarou: “Pouquíssimas pessoas estavam optando por ativar mensagens com criptografia de ponta a ponta nas DMs, então estamos removendo essa opção do Instagram”. O recurso havia sido lançado em dezembro de 2023 como uma função opt-in, ou seja, precisava ser ativada manualmente pelo usuário a cada nova conversa.
Especialistas em cibersegurança, porém, questionam esse argumento. Ferramentas opcionais historicamente apresentam baixa adesão justamente por exigirem passos adicionais, e isso não seria necessariamente um indicativo de que os usuários não se importam com privacidade. Para a especialista em cibersegurança Victoria Baines, “as plataformas de redes sociais monetizam nossas comunicações, publicações, curtidas e mensagens para direcionar publicidade segmentada”, e a decisão pode ser mais complexa do que aparenta.
REAÇÕES OPOSTAS
A decisão dividiu opiniões entre grupos de proteção infantil e defensores da privacidade digital:
| Quem | Posição | Argumento |
|---|---|---|
| NSPCC (Reino Unido) | ✅ Favorável | A criptografia dificultava a detecção de crimes como aliciamento e abuso infantil |
| Big Brother Watch | ❌ Contrária | A medida representa um retrocesso na proteção de dados de usuários, especialmente jovens |
| Especialistas em cibersegurança | ❌ Contrária | A decisão pode refletir interesse da Meta em dados para treino de IA |
| Governos | ✅ Favorável | Facilita o cumprimento de ordens judiciais e investigações oficiais |
Rani Govender, do NSPCC, afirmou estar “realmente satisfeito”, acrescentando que a criptografia ponta a ponta “pode permitir que autores de crimes deixem de ser detectados, o que faz com que o aliciamento e o abuso infantil passem despercebidos”. Já Maya Thomas, da Big Brother Watch, disse estar “decepcionada” com a decisão e afirmou que a tecnologia era “uma das principais formas de crianças protegerem seus dados na internet”.
WHATSAPP SEGUE PROTEGIDO
É importante destacar que a mudança não afeta o WhatsApp, outra plataforma do grupo Meta. Desde 2016, o aplicativo mantém a criptografia ponta a ponta ativada por padrão para todas as conversas, sem necessidade de configuração adicional. A própria Meta sugeriu que usuários que desejam continuar com mensagens criptografadas migrem para o WhatsApp.
O cenário mais amplo da indústria também merece atenção. Plataformas como Signal, Facebook Messenger, iMessage (Apple) e Google Messages adotam criptografia ponta a ponta como padrão. Já Telegram e X (antigo Twitter) oferecem o recurso de forma opcional. Analistas acreditam que a decisão da Meta pode desacelerar a disseminação da tecnologia no setor, restringindo-a progressivamente a aplicativos dedicados exclusivamente ao envio de mensagens.
Via: g1




