A Donut Lab, empresa derivada da fabricante finlandesa Verge Motorcycles, já está produzindo baterias de estado sólido para veículos elétricos. O anúncio foi feito durante a CES 2026, feira de tecnologia que acontece em Las Vegas. Diferentemente de outras promessas do setor, a solução não está em fase de desenvolvimento, mas em produção efetiva na Finlândia.
A bateria, denominada Donut Battery, utiliza material sólido entre o ânodo e o cátodo, substituindo o eletrólito líquido presente nas células de íon de lítio convencionais. Esta modificação permite que os íons transportadores de carga se movimentem durante os ciclos de carga e descarga, o que resulta em maior durabilidade, velocidade de carregamento e densidade energética.
Características técnicas e vantagens
A densidade energética da Donut Battery alcança 400 Wh/kg, cerca de um terço superior à de uma bateria de íon de lítio moderna. Na prática, isso significa 30% mais autonomia em um veículo elétrico utilizando uma bateria de mesmo peso.
Além disso, a empresa afirma que suas baterias podem ser completamente carregadas em apenas cinco minutos, tempo comparável ao abastecimento de um veículo a combustão. No entanto, na primeira aplicação comercial, a motocicleta Verge TS Pro, o tempo de carregamento será de 10 minutos.
Marko Lehtimaki, cofundador e CEO da Donut Lab, destaca também a vantagem econômica do produto. “O custo dos materiais diminuiu, e continua diminuindo com cada novo fornecedor comprando na taxa em que estamos vendendo”, declarou.
Durabilidade excepcional
Quanto à vida útil, a Donut Lab promete 100.000 ciclos de carga antes do desgaste da bateria, enquanto a Verge menciona 10.000 ciclos. Mesmo considerando o número mais conservador, isso representa uma melhoria significativa em comparação com os aproximadamente 1.500 ciclos esperados de uma bateria de íon de lítio convencional para veículos elétricos.
“A vida útil, o valor residual da bateria, é na verdade 100% após a vida útil do carro. Então ela se torna o único componente que mantém seu valor, e você pode usá-la como bateria residencial, ou qualquer outra coisa”, explicou Lehtimaki.
As baterias também apresentam estabilidade térmica excepcional, mantendo capacidade quase total mesmo a temperaturas de -22 graus Fahrenheit. “não haverá nenhuma necessidade real de resfriamento ativo“, afirmou Lehtimaki. “Fazemos um pouco para gerenciar o invólucro em que elas estão, mas isso é gerenciamento do invólucro, e não gerenciamento específico da bateria”.
Histórico de desenvolvimento
O desenvolvimento desta tecnologia teve início em 2018, quando engenheiros da Donut Lab e da Verge Motorcycles começaram a trabalhar em designs de baterias. A empresa manteve o conceito básico utilizado nos últimos duzentos anos, com ânodo de um lado e cátodo do outro, separados por um eletrólito.
Contexto do mercado
A CES, realizada anualmente em Las Vegas, é conhecida por anúncios ambiciosos de produtos inovadores. Em 2018, Henrik Fisker prometeu baterias de estado sólido que estariam em produção em massa até 2020. Contudo, a empresa abandonou o projeto em 2021 e declarou falência em 2024.
Existem especulações online sobre a possível utilização de tecnologia da Nordic Nano, startup finlandesa de energia renovável na qual a Donut Lab investiu. Quando questionado sobre isso, Lehtimaki foi categórico: “não é deles”.
Sobre o processo de inovação, o CEO da Donut Lab compartilha sua filosofia: “a parte que tem a capacidade e então itera mais rápido é a que obviamente faz a inovação. Eu sempre disse que 20 engenheiros vencem 2.000 engenheiros”.
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