A recente reformulação do Imposto de Renda no Brasil mudou o dia a dia financeiro de quem trabalha na educação básica. A partir de 2026, os professores com salário mensal de até R$ 5 mil não terão mais imposto retido na fonte, o que muda a forma de tributação da renda dos professores e redesenha a distribuição da carga do imposto de renda dentro da categoria, segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
O que significa isenção de Imposto de Renda para professores?
A isenção do Imposto de Renda para professores está ligada principalmente à ampliação da primeira faixa da tabela do IRPF. Com o novo modelo, fica excluído da tributação quem recebe até R$ 5 mil por mês, e salários de até R$ 7.350 ficam na faixa intermediária, com desconto parcial.
Segundo o Ipea, essa mudança mais que dobra o percentual de professores totalmente isentos de IR em relação à regra anterior. Mais da metade da categoria não paga imposto, o que significa maior valor líquido mensal disponível para despesas essenciais e planejamento financeiro.
Qual o efeito da isenção de IR para quem ganha até R$ 5 mil?
Entre os profissionais que ganham perto do mínimo nacional para lecionar, a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil tem efeito direto no orçamento. Antes da reforma, esses salários poderiam ser tributados à alíquota máxima, 27,5% sobre a base calculada, reduzindo significativamente o valor líquido.
O estudo aponta que, ao longo de um ano, o ganho acumulado desse grupo se aproxima do equivalente a um salário adicional, apenas com a mudança de tabela. Essa diferença surge sem necessidade de aumento de jornada de trabalho, horas extras ou gratificações, sendo resultado exclusivo da redução da carga tributária.
A isenção do Imposto de Renda para professores é igual para todos?
Embora a isenção do Imposto de Renda para professores atinja a maioria da categoria, o efeito não é idêntico em todos os perfis. Entre aqueles que mantêm um vínculo formal único na educação básica, especialmente nas faixas salariais mais baixas, a proporção de professores isentos ou com redução de impostos é significativamente maior.
Entre os professores que ocupam dois cargos, atuam em mais de uma escola ou conciliam a docência com outra atividade, a soma dos salários tende a ultrapassar o limite de isenção. Mesmo assim, muitos passam a ter alíquotas menores ou saem da faixa máxima, o que reduz a carga do imposto mesmo sem atingir a isenção total.
Por que a rede privada concentra mais professores isentos de IR?
Um dos resultados mais marcantes da pesquisa é o contraste entre redes públicas e privadas. A isenção do Imposto de Renda para professores atinge maior proporção entre aqueles que lecionam em escolas privadas, onde a maioria dos professores se enquadra na faixa de isenção total após a reforma.
Essa diferença é explicada pelo padrão de remuneração e contratação na rede privada, geralmente com menor carga horária e pagamento por hora aula. Como muitos professores ganham abaixo do novo limite máximo de isenção, tendem a cair com mais frequência na faixa de isenção de imposto sobre o rendimento, mantendo a maior parte do seu rendimento disponível para consumo e poupança.
Quais estados têm a maior proporção de professores isentos de Imposto de Renda?
O estudo do Ipea também analisa como a isenção de IR para professores é distribuída entre as unidades da federação. Em alguns estados, mais de 60% dos professores da educação básica deixam de pagar o imposto, pois os salários estão concentrados em níveis próximos ou abaixo do novo limite anual de isenção.
Em outras regiões, especialmente onde o salário médio da docência é mais elevado, muitas carreiras permanecem na taxa máxima de 27,5%. O Distrito Federal é exemplo de local com grande concentração de professores acima do novo teto de isenção, evidenciando fortes desigualdades regionais na tributação da categoria.
Como o Ipea mediu o impacto da isenção do IR para os professores?
Para estimar o efeito da reforma, o Ipea utilizou a base da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), que reúne dados sobre os vínculos formais de trabalho no país. Com base nas áreas de ocupação e setor de atuação, os pesquisadores identificaram quem atua na educação básica e calcularam a remuneração anual desses profissionais.
Com esses dados, o instituto adotou critérios padronizados para classificar os professores em faixas de renda e simular o efeito da nova tabela. Os principais procedimentos metodológicos utilizados foram:
- Adicione os salários brutos de cada mês trabalhado em 2022, corrigidos pela inflação até outubro de 2025.
- Desconsidere o 13º salário no cálculo das faixas tributárias.
- Não incluem deduções como previdência social, dependentes ou despesas com saúde e educação.
- Agrupar os professores em três blocos: até R$ 60 mil por ano (isento), entre R$ 60.000,01 e R$ 88.200 (redução de impostos) e acima desse limite (alíquota máxima).


