Em 2025, cientistas do mundo inteiro publicaram estudos demonstrando como a Inteligência Artificial (IA) pode ser uma ferramenta para nos ajudar a conversar com os animais.
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O movimento, no entanto, existe há alguns anos, como você pode conferir em algumas matérias publicadas aqui no Giz Brasil.
Além de cientistas que desenvolvem IA para identificar o latido dos cães e descobrirem que elefantes atribuem nomes uns aos outros, até o Google entrou no jogo.
Sim, uma das maiores empresas de tecnologia anunciou que vai usar IA para decifrar o que golfinhos estão conversando.
Mas, o fato é que não precisamos de ajuda para conversar com animais, principalmente quando falamos de pets. A maioria dos donos de pets conversa com seus pets, que acabam entendendo e adotando comportamentos específicos.
E, surpreendentemente, nossa matéria mais recente sobre o tema revelou que 31% dos donos de pets namorariam uma versão humana de seus bichinhos.
Leia mais: Donos de pets namorariam versões de IA de seus animais, diz pesquisa
Mas, voltando à IA, a possibilidade da humanidade conversar com animais verbalmente está cada vez mais próxima, com grandes capitalistas financiando projetos de pesquisas.
Por todo o reino animal, cientistas começam a desvendar comportamentos vocais complexos que anteriormente acreditávamos pertencer exclusivamente aos humanos.
As pesquisas mais recentes demonstram que a IA, além de permitir decodificar os sons que os animais emitem, pode possibilitar a habilidade mútua de conversar.
Além dos capitalistas, no campo da ciência, um dos principais entusiastas é David Robinson, cientista sênior da divisão de pesquisa em IA do Earth Species Project (ESP), ONG fundada para viabilizar o uso de IA para conversar com animais.
Aliás, é importante um parêntese para mencionar que os principais patrocinadores da ONG incluem o fundador do LinkedIn, Reid Hoffman, e os bilionários Steve Jurvetson e Chris Larsen, ambos investidores no setor tech.
Em sua bio oficial, David Robinson, especialista em pesquisa e engenharia de IA na medicina, afirma ser um sonho de infância conversar com animais, principalmente golfinhos e baleias.

Imagem: Screenshot/Giz Brasil
No final do ano passado, Robinson e outros cientistas da ESP lançaram a NatureLM-audio, modelo de linguagem de IA treinado com milhares de gravações de animais.
O modelo consegue analisar e classificar vocalizações de pássaros, baleias e primatas com velocidade e precisão surpreendentes.
Veja como o CETI usa IA para conversar com animais:
Tais recursos significam uma grande transformação. Pois, em vez de depender somente da observação humana, cientistas conseguem produzir enormes datasets para detectar padrões muito sutis ou complexos para o ouvido humano.
Mas o uso da IA vai além da audição passiva, com projetos como o CETI (Iniciativa de Tradução de Cetáceos, da sigla em inglês em referência ao SETI), que usa IA para analisar a vocalização de cachalotes, uma espécie de baleias dentadas.
Gašper Beguš, linguista do CETI, treinou modelos de IA generativa para produzir sequências de sons de baleias para imitar os padrões que esses animais usam para conversar, similarmente à fonética humana.
Beguš e cientistas de sua equipe encontram evidência de que os sons das baleias têm características “análogas a vogais e ditongos da linguagem humana”. Contudo, o cientista destaca que “Se a sofisticação da comunicação animal é suficiente para receber a definição de linguagem, isso depende de como os humanos definem o termo”.
Para além do debate filosófico, a IA possibilita, cada vez mais, experimentos práticos, testando quais animais conseguem conversar e, sobretudo, entender diálogos.
Um exemplo é o FinchGPT, que converte cantos de pássaros em sequências simbólicas para identificar possíveis padrões gramaticais. E no caso do Google, como mencionamos acima, você pode ler mais sobre o modelo DolphinGemma aqui.
Questões éticas sobre o uso de IA para conversar com animais
O fato é que, embora muitos cientistas ainda priorizem a observação comportamental devido ao barulho do ambiente, a IA está, sem dúvidas, ajudando a compreender as regras de estrutura e significado dos sons dos animais. Ambos os componentes são essenciais para definir a linguagem, algo que cientistas perceberam em chimpanzés.
Mas o objetivo a longo prazo é o diálogo puro e verdadeiro. O CETI e outros projetos planejam testar traduções ao reproduzir mensagens com sons similares aos de baleia no ambiente silvestre.
Por outro lado, cientistas levantam questões éticas, como Melissa Berthet, que estuda primatas no Congo.
“Não acredito que serei capaz de me comunicar com eles [os animais]. Além disso, não estou convencida de que os animais gostariam de conversar conosco”, disse a bióloga em entrevista à Nature.
As questões éticas do uso de IA para conversar com animais não envolvem somente a curiosidade científica, mas também riscos no comportamento dos animais.
Dominique Potvin, que usa IA para estudar o canto dos pássaros, enfatiza tanto o potencial quanto às limitações da tecnologia para conversar com animais.
“Não somos pássaros, então não temos ideia do que passa na cabeça de um pássaro que escuta outro cantar. Mesmo fazendo tudo ao nosso alcance, sempre haverá mistérios”, ressalta a cientista.
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